O Que Sei, Não Importa

Me perguntam às vezes se eu sei. 
E eu penso… que importa isso? 
O que eu sei, eu já sei. Já tá resolvido, guardado, quieto.

O que importa mesmo pra mim é o que ainda não sei, e isso ninguém me pergunta.
É isso que me tira da cama. 
É isso que me faz olhar pro relógio à meia-noite e pensar: “mais meia hora e eu entendo esse negócio”. 
É isso que me faz abrir um novo projeto, um novo código, uma nova ideia, como quem abre uma janela e respira fundo, feito a Daniele de manhã é o mais próximo que chego dela.

Eu não sou o que sei. Eu sou o que busco saber. 
Eu sou o que precisa aprender. O que não se acomoda. O que tem fome. 
Fome de conhecimento, de compreensão, de clareza. Clareza??? Rarara!!! Até parece!!!

Me chamam de racional, de técnico, de engenheiro, de projetista, e de músico.
Mas eu sou também o cara que tenta escrever crônicas. 
O que chora por dentro ao ver um homem deitado numa calçada qualquer de uma rua qualquer, ou perambulando por uma estrada, tão longa que penso que ela nunca chegará ao seu fim, na verdade espero que nem seja essa a intenção dele. 
O que vê história em estrias, onde muitos só veem imperfeição. 
O que não tem rede social, mas tem alma inquieta.

Eu tenho piscina em casa. Mas só sento à beira dela quando às vezes meus filhos estão brincando e me pedem muito. 
Ali, sim, faz sentido. Ali, sim, vale parar e respirar.

A verdade é que não tenho rumo. Tenho vontade. Tenho perguntas. Tenho listas. Tenho urgência. 
Não sei se chego lá, como o andarilho. Não sei nem onde quero ir, como o andarilho! Mas continuo indo porque é isso que me mantém vivo.

O que sei? Ah… isso não importa. 
O que sei já não me muda. 
O que não sei, isso sim é o que me motiva e transforma todos os meus dias em dias que merecem ser vividos.


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