Viver se torna arriscado,
porque qualquer movimento pode desencadear um furacão.
Você segura o leme da própria vida com toda a força.
E, por isso, às vezes, prefere não soltar o barco do cais.
O mar até se acalma,
mas o medo de perder o controle é mais forte que a vontade de navegar.
Então você ancora.
Começa a chamar de “segurança” o que, na verdade, é prisão.
O mais curioso é que não foram correntes que te prenderam.
Nem ventos contrários.
Nem tempestades.
Foi só você,
segurando firme demais
as próprias amarras.
E quando der nome a elas, vai perceber:
Elas não estão te prendendo.
Você é quem está agarrado a elas por medo de flutuar.


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