Meu mundo é feito de fios. Mas também de palavras.
De circuitos, disjuntores, comandos elétricos e eletromecânicos e de dúvidas, crônicas e silêncios.
Sou feito de cálculo. Diferencial, integral, discreto, simbólico.
Mas também sou feito de memórias ou da falta delas, de ausência de sentido e da esperança de um encontro entre o exato e o incerto, entre o que posso compreender e aquilo que jamais entenderei completamente.
Às vezes passo o dia mergulhado num esquema elétrico.
Outras, passo a madrugada me perguntando se alguma vez serei mesmo autor do que crio.
E em todas elas o que me move é a busca.
Porque aprender, pra mim, não é um luxo. É urgência e necessidade!
Trabalho com energia, mas muitas vezes fico sem ela.
Projetar, programar, simular, automatizar são só verbos técnicos pra uma alma que quer entender o mundo e deixá-lo mais coerente, pelo menos pra mim.
Node-RED, AutoCAD, calculadora, relés, MQTT, Zigbee, Python… ferramentas.
Mas o que eu quero mesmo é construir algo que faça sentido. E, no fundo, talvez seja eu mesmo esse projeto inacabado.
Sou o cara que olha pra piscina e vê mais do que lazer.
Vejo um sistema, uma lógica, um controle. E ao lado, vejo meus filhos. E aí, sim, entendo tudo, pelo menos por um momento.
Ali o circuito fecha.
Sou o técnico que sente. O engenheiro que escreve. O programador que busca a si mesmo nas entrelinhas do código.
Não me contento em repetir. Quero entender. Quero ir até onde der.
Não sou só o que sei. Sou o que quero aprender.
Sou o ruído entre dois pontos de tensão. O traço entre teoria e prática. A faísca entre dúvida e criação.
E se um dia perguntarem o que eu faço… talvez eu responda assim:
— Eu tento dar forma ao invisível, enxergar o que o inacabado pode se tornar.
— Faço projetos, sim. Mas, no fundo, eu estou tentando projetar a mim mesmo.
— Em forma de ideia, de função, de estrutura. Em forma de vida e vida que valha a pena, vida que realmente é melhor.


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