Agir ou reagir? Quando menos é mais

Reagir sempre me foi espontâneo e natural.
Algo acontece, eu respondo.
Alguém pergunta, eu explico.
Um problema surge, eu apago o incêndio.

Passei a vida acreditando que isso era o que a vida esperava de mim.
Minha forma de estar disponível e de ser útil.

Um dia reparei numa coisa pequena.
Quase boba.
Quase infantil.

Reagir tem mais letras e, com elas:
mais esforço, mais pessoas envolvidas, mais impedância.
Mais peso.

Agir é menor.
Cabe inteiro numa única decisão.

Não é só gramática.
A questão é estrutural.

Reagir exige contexto, histórico, justificativa, defesa e ataque.

Reagir sempre nos coloca na terceira pessoa, no papel de coadjuvante da própria vida em prol da vida de quem age. Agir só exige coragem, e a recompensa é o protagonismo.

Quanto mais eu reagi, mais coisas precisavam ser explicadas, mais tinha que me justificar.
Quanto mais eu explicava, menos eu fazia.
E quanto menos eu fazia, mais o mundo me empurrava para continuar reagindo.

Um ciclo elegante, absolutamente exaustivo e pouco eficiente.

Agir não é fazer mais.
É decidir.
É cortar.
É escolher o que se quer carregar.

Agir não pede aplausos, já que poucas vezes eles são merecidos.
Não pede aprovação.
Não pede permissão.

Agir acontece antes que as pessoas se deem conta.
Antes do ruído, do sucesso ou do fracasso.
Antes da plateia.

Percebi que muita complexidade é só excesso de reação.
Muito barulho é só medo de decidir.
Muito movimento é só falta de direção.

Percebi que hoje estou mais inclinado ao verbo mais curto. E que essa percepção não seja tardia.
A palavra que ganhou sentido.
O gesto que não precisa de legenda, já que não exige interlocutor.

Menos letras.
Menos explicação.
Menos elenco.
Mais resultado.

Agir! O menos que é mais.


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