Devaneios de um Quase Pronto

Ninguém nasce pronto. 
A vida não entrega manual. 
Ela vai empurrando a gente pra frente, enquanto a gente corre atrás do próprio rabo, sem fôlego e sem ensaio. 
A preparação é sempre tardia. A lição chega depois da prova e, mesmo assim, seguimos.

Quem nasce preparado pra ser pai? Pra ser mãe? 
A gente se torna filho, adolescente, adulto, sem muita experiência, achando que já sabe de tudo só porque acha que já viveu e sentiu demais. 

E é verdade: na adolescência já se tem uma bagagem danada. 
A gente aprende a lidar com o amor, com as diferenças, com o papel higiênico, com os professores e com a vontade de sumir.

Mas o mais importante, acho eu, é deixar as cicatrizes desse trajeto no lugar certo.  L
Elas são provas vivas de que já andamos de bicicleta e caímos, e as cicatrizes demonstram isso. 
Que já furamos o pé no prego da vida. 
Que já fomos traídos, deixados, esquecidos e, mesmo assim seguimos. 
Que já perdemos pais e, muitas vezes, até filhos… 
Que esses mesmos pais, às vezes, nos fizeram passar vergonha na frente dos coleguinhas.

As marcas do corpo também contam história. 
As celulites, as estrias e até a falta delas revelam mais do que estética ou um corpo bonito e perfeito. 
Elas falam dos seios que alimentaram filhos, 
do parto que rasgou, mas trouxe vida, 
da comida feita com pressa, 
da vida vivida sem filtro nem Photoshop.

É… tudo isso aqui talvez seja só um monte de devaneio. 
Palavras derramadas com um Cabernet na cabeça e um travesseiro cheio de pensamentos. 
Talvez seja só meu jeito de pedir desculpas. 
Por não ter nascido sabendo. 
E, por isso, ter feito besteiras no caminho.

Porque conviver… 
Ah!!!! Conviver é lidar. 
Lidar com as diferenças, com as instabilidades emocionais, com as loucuras nossas e alheias. 
E num é fácil não. Nada fácil.

Ver as coisas de fora, às vezes, ajuda. 
Ou piora, não sei. 
Só sei que, do lado de fora, elas parecem ter proporção mais justa. 
De dentro da sala, não dá pra saber o tamanho do prédio. 
Ou, se estamos no primeiro andar ou na cobertura. 
A tendência é sempre acharmos que tudo é maior do que realmente é: 
O amor, as dúvidas. 
E até os nossos próprios problemas.


Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *