Se eu pudesse não ser como sou

Se eu pudesse não ser como sou,

talvez o silêncio me importasse menos.

Talvez eu aprendesse a falar de forma mais leve,

sem o peso das supostas verdades que carrego comigo.

Se eu pudesse não ser como sou,

talvez eu me importasse menos com o que me importo,

e me deixasse enganar pelo mais raso,

só pra descansar um pouco.

Se eu pudesse não ser como sou,

não pensaria tanto antes de cada passo,

nem sentiria o mundo com tanta intensidade.

A vida seguiria simples,

como é para quem não repara nas sombras.

Mas e aí… talvez eu deixasse de ver o que vejo.

De sentir o que sinto.

De ser quem, no fundo, eu ainda insisto em ser.

E então percebo que não há fuga possível de mim.

Há apenas pausas, pequenas tréguas, sim,

até que eu olhe para o espelho do meu quarto e ele me olhe de volta e diga:

“Não adiantou, você ainda é você.”


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