Minhas amizades cabem em uma mesa pequena.
Tenho “muitos poucos amigos”, não por escassez, mas por escolha e pelo tamanho da minha “mesa” que não é muito grande: explico o oxímoro. Poucos por escolha, muitos pelo valor.
É mesa marcada de vida, violão encostado e a certeza: sem isso, a vida seria uma merda.
Vieram quase todos pela mesma porta, a música:
Luís entrou pela bateria, marcando o pulso do meu passo;
Gê chegou de guitarra, rindo, palheta no bolso e trazendo vida para a música que eu fazia;
Sérgio também pela guitarra, antes de tudo, meu professor de violão e sempre buscando coerência e harmonias consistentes e mais complexas;
Ricardo foi o meu primeiro amigo na igreja, lá no começo desse ciclo e me ensinou um monte de coisa no violão e sobre a conduta cristã.
Mais de três décadas já se passaram.
Gê já conta mais de vinte anos de estrada comigo.
No fim, não é a idade do laço que importa e sim a força do nó.
Aprendi com eles que amizade não pede holofote, nem plateia. Ela continua sendo amizade, até tocando em cima de um caminhão ou dormindo dentro de uma Kombi em cinco numa noite fria.
Ela só pede tomada devidamente aterrada: aterramento de alma e devida equipotencialização (mesmo potencial).
É quem segura a corda quando o palco escurece,
quem primeiro diz: “Respira” quando alguém desafina ou sopra o acorde ou a letra quando a memória falha.
Às vezes sumimos por anos;
o tempo tenta enferrujar as dobradiças,
mas basta um “e aí?” e a porta abre sem rangido.
Amizade boa tem graxa invisível:
confiança, lealdade e coisas que não aparecem nas fotos.
Já quis ter “mais amigos”! Besteira.
Prefiro os muitos poucos de sempre,
os que conhecem meu melhor e meu pior
e, mesmo assim, puxam uma cadeira pra se sentar e bater um papo.
Amigos não são números; são nomes e sobrenomes ditos.
Claro que não vou listá-los aqui, como fiz quando escrevi esse texto.
Laços construídos em anos, com falhas, sim, mas com reconciliações.
Show sem ensaio e que mesmo assim deu certo.
Se me faltassem, o mundo perderia o compasso,
o domingo ficaria ainda mais chato.
Eu seguiria? Sem dúvida!!!
Mas seria rádio fora de estação: onde só se ouve ruído, ruído e ruído.
A amizade: jeito simples de Deus nos proteger e resgatar, sem precisar intervir pessoalmente.


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