O Sentido Não Faz Sentido

O sentido… não faz sentido.

A gente fala tanto em encontrar o sentido da vida, como se ele estivesse num mapa, numa placa, ou atrás de alguma esquina com uma padaria bem grande na frente.

Mas o sentido, quando é só direção, é geografia ou física. 
E quando é vida… é outra coisa.

Não é que eu tenha perdido o sentido. 
É que talvez eu nunca tenha tido um. Ou melhor: nunca me dei por satisfeito com nenhum. 
Porque o sentido que serve aos outros não me serve. 
O que pra muitos basta, em mim não encaixa.

Não quero uma direção qualquer. 
Quero um destino que faça sentido pelo menos enquanto caminho. 
Não quero atalhos, nem trilhas prontas. 
Quero errar o caminho, voltar, descobrir, aprender. 
Quero o desconforto de não saber ao certo, mas seguir mesmo assim.

Dizem que ter sentido é saber onde se quer chegar. 
Mas e se o que me move for justamente não saber e mesmo assim seguir com esperança? 
E se o meu sentido for o próprio desejo de buscá-lo?

O vazio que sinto às vezes não é falta. É espaço. 
Espaço para que algo maior venha. 
Espaço para perguntas para as quais ainda não tenho respostas.
Espaço para um sentido que não seja uma linha reta, mas uma espiral de descobertas.

Talvez meu sentido seja este: 
A constante procura. 
O desejo de encontrar algo cujo nome ainda não sei. 
A fé de que, no caminho, alguma coisa dentro de mim se alinhe com alguma coisa lá fora e então, sem aviso, tudo faça sentido por um instante. 
E depois, talvez, volte a não fazer.

Mas tudo bem. 
Porque é essa procura que me mantém vivo, pelo menos até aqui. E olha que já faz muito tempo.
E talvez, só talvez… isso seja o mais próximo que chegarei de encontrar o tal sentido.


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